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Nem obrigado

Posted by alegrão em Janeiro 30, 2007

Sim à despenalizacao

Oficialmente, começa hoje a campanha respeitante ao referendo. Espero que estes dias sirvam para esclarecer as mentes indecisas. Desejo que os argumentos não se radicalizem, tal como aconteceu no outro referendo. Aguardo argumentos, no mínimo, racionais…

Um dos movimentos pelo NÃO tem um outdoor que apela ao NÃO, baseado numa ideia de não gastarmos o dinheiro dos nossos impostos em clínicas de aborto.

A resposta do movimento Jovens pelo SIM é esta. Não poderia estar mais de acordo. De facto, o argumento pelo NÃO é falacioso.

Senão repare-se:

  1. Na minha opinião, esta questão deve ser analisada na sua vertente HUMANA e nunca económica;

  2. Actualmente, as IVG’s são efectuadas em condições deficientes e, por vezes, geram complicações;

  3. Posteriormente, as mulheres são acusadas, julgadas, humilhadas e condenadas a prisão.

Agora, vejamos a questão económica, que torno a dizer, menos importante:

  1.  Actualmente já se gasta muito dinheiro dos nossos impostos a tratar mulheres a quem, por falta de dinheiro, têm que recorrer a “curiosos” que ajudam a abortar e que depois precisam do Sistema Nacional de Saúde para remediar o mal feito (1.400 casos, 13 mortes, números oficiais).

  2. Todo esse dinheiro, por ser clandestino, circula em “economia paralela”, logo livre de impostos;

  3. Quem tem dinheiro, desloca-se a Espanha e vai efectuar a IVG com todas as condições, contribuindo para uma economia Espanhola mais sã;

  4.  Os valores dos nossos impostos são gastos a julgar as mulheres com fracos recursos;

  5. Ao condenar estas mulheres, todos contribuimos com os nossos impostos para as mantermos na prisão.

 Onde desperdiçamos mais dinheiro dos nossos impostos afinal?

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9 Respostas to “Nem obrigado”

  1. wind said

    Posso assinar por baixo? 🙂
    Escreveste tudo e muito bem!
    És muito concreto e pragmático no que escreves e nas razões.
    Concordo plenamente!
    beijos

  2. aramis said

    Não sei se já te tinha dito… tenho um irmão novinho com uma deficiência física. Ele é a minha vida. Nunca se colocou a questão de a minha mãe ter de escolher de não ter o meu irmão. É um ser humano lindo que não poderia ver a sua vinda ao mundo dependente de uma lei. Sou contra o aborto decidido por não ter mais um encargo na vida. Sou a favor do aborto em situações de risco e de deficiencias profundas e altamente condicionantes da dignidade humana. Vou votar SIM porque não quero ver uma mulher presa por ter de abortar e sabe Deus em que condições. Sejamos humanos e pensemos na nossa realidade. Bem haja pessoas como a Deputada (ex) Odete Santos.
    Um abraço.

  3. alegrão said

    Wind: Obrigado, pelas tuas palavras. Beijinho

    Aramis: Ainda não conhecia a existência desse irmão. Não sei se a tua mãe sabia da deficiência antes deste nascer, mas também não é importante agora. O que é importante é que o teu irmão É AMADO, como tu dizes “Ele é a minha vida”. Ele tem condições para ter uma vida digna, apesar das “deficiências” existentes na sociedade portuguesa (falta de infra-estruturas, acessos, etc).
    Infelizmente, outras famílias não podem dar essas condições de vida, e, volto a dizer, o Estado em nada ajuda. As organizações não governamentais e as Instituições Particulares de Solidariedade Social não são suficientes para resolver o problema.
    Eu também vou votar SIM – para além das razões que apontaste – porque acho que a mulher deverá poder decidir, em consciência, se tem condições para poder dar uma vida condigna à criança. Acho que assim poderemos diminuir o número de crianças rejeitadas pelas mães, maus tratos e até abandonos de crianças.
    Também admiro a ex-deputada Odete Santos, tem uma forma muito agressiva de falar, mas SABE verdadeiramente do que fala.
    Um abraço

  4. Pedro said

    concordo plenamente. mas acrescento, e é uma tematica que tem sido mantida fora do debate, quer na vertente humana, quer na vertente económica: quantas crianças sao abandonadas por ano e não são celeremente adoptadas (porque os casais preferentem dar um dinheirao às clinicas de fertilizacao mas tambem pela burocratizacao do sistema) e sao mantidas – em alguns caso até à maioridade – em centros (que eram supostos ser “como um lar” mas nunca o são, apesar dos esforços do pessoal que aí trabalha)? Quanto custa este status quo ao Estado? E a essas crianças?

  5. um ponto azul said

    Já estou ligeiramente farta da campanha…neste momento só serve para desinformar!Mas tu explicaste tudo muito bem!Eu vou votar SIM!Bjs querido amigo 🙂

  6. MAPRIL said

    Já que falas em falacioso, cá vai:
    – “Concorda com a despenalização do aborto, quando praticado a pedido da mulher, nas primeiras 10 semanas de gravidez, e em estabelecimento de saúde devidamente autorizado?”.
    1º Se o estabelecimento “é” devidamente autorizado, poderia haver penalização?
    2º Se o estabelecimento “não for” devidamente” autorizado, continuará a haver penalização?

    Se a pergunta não é falaciosa, e está a apelar a que se tenha pena das mulheres, e se vote sim por isso mesmo, por pena, repito, se não é falaciosa, então é simplesmente parva!

  7. alegrão said

    Pedro: As opiniões dos dois lados estão muito centradas em questões “filosóficas” e, na minha opinião, alheadas da realidade que o ser humano vive nos dias de hoje.
    Em ambos os lados fala-se nos problemas psicológicos de fazer ou não uma IVG, da falta de acompanhamento do Estado, etc. Falta abordar a problemática do acompanhamento às famílias que têm filhos indesejados e as suas consequências, mais uma vez: psicológicas e económicas. Um abraço

    Um ponto azul: Para quem já decidiu o sentido do voto, é natural que já se sinta saturado da campanha, mas o importante é esclarecer as pessoas. Obrigado, beijo

    Mapril: Estou de acordo com o teu primeiro ponto, de facto não se poderia penalizar um acto feito num estabelecimento autorizado.
    Quanto ao segundo ponto, já não posso concordar. De facto, os apoiantes do SIM, estão contra o aborto clandestino e vão votar SIM para permitir que tal acto seja praticado em condições e por pessoas com qualificações. É claro que se o aborto for praticado clandestinamente deverá ser penalizado! Temos que terminar com a vergonha de ter mulheres a morrer ou a ter complicações por abortos feitos sem condições.
    Eu não vou votar SIM por pena das mulheres, vou votar SIM pelo que expus atrás e porque penso que as mulheres são competentes para julgar se têm condições para ter um filho ou não.
    Cumprimentos

  8. MAPRIL said

    Alegrão:
    – De facto, a pergunta é falaciosa.
    -“Concorda, que o aborta seja praticado, a pedido da mulher, nas primeiras 10 semanas de gravidez, em estabelecimento de saúde devidamente autorizado?”. Esta seria a forma correcta de pôr a questão.
    – Todos sabemos que o aborto clandestino vai continuar a existir: -É a chavala com menos de 16 anos, que não quer que os pais saibam que está grávida, e não existe médico(a) nenhum que lhe faça o aborto sem informar os pais, é a mulher bem casada, mas mal fodida, que não quer, de maneira nenhuma, que o marido saiba, enfim, são mmuitas as varáveis. O problema, é o mecanismo da Lei, que presentemente permite aos juízes, não penalizarem as mulheres (há mais de 20 anos que mulher nenhuma é penalizada em Portugal, pela prática do aborto), e que por causa do 2º ponto na minha anterior questão, vai deixar os juízes de mãos atadas. “É claro que se o aborto for praticado clandestinamente deverá ser penalizado! Temos que terminar com a vergonha de ter mulheres a morrer ou a ter complicações por abortos feitos sem condições” – palavras tuas. Meu amigo, não há como acabar com essa vergonha, e eu pensava que se pretendia acabar com a vergonha da penalizãção.

  9. alegrão said

    Mapril: Tens direito à tua opinião, mas o que está em causa agora é a pergunta que foi proposta e aprovada na Assembleia da República. É essa que vamos votar.
    Eu também não acredito que o aborto clandestino vá acabar com o SIM, mas concerteza irá diminuir e muito. Quanto às pessoas que continuem a praticar o aborto clandestino, estas têm que ser responsáveis pelos seus actos. Depois de o Estado “oferecer” as condições dignas, terá toda a legitimidade para proibir práticas clandestinas. Continuo a exprimir a minha opinião.
    Quanto à inexistência de mulheres penalizadas em Portugal, vou responder no próximo post.

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